{"id":974,"date":"2017-02-25T12:41:42","date_gmt":"2017-02-25T15:41:42","guid":{"rendered":"http:\/\/verdeamarelo.org\/bwg\/?p=974"},"modified":"2019-04-27T12:48:22","modified_gmt":"2019-04-27T15:48:22","slug":"au-pair-in-america-como-o-programa-e-vendido-como-e-vivido-e-o-que-ele-realmente-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/2017\/02\/25\/au-pair-in-america-como-o-programa-e-vendido-como-e-vivido-e-o-que-ele-realmente-e\/","title":{"rendered":"Au Pair in America: Como o programa \u00e9 vendido, como \u00e9 vivido e o que ele realmente \u00e9"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Estefani Lima*<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-975 alignright\" src=\"http:\/\/verdeamarelo.org\/bwg\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Post-8-186x300.jpg\" alt=\"\" width=\"186\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Post-8-186x300.jpg 186w, https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Post-8.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 186px) 100vw, 186px\" \/>Assim como tudo na vida, nada \u00e9 100% alegria e nada \u00e9 100% tristeza; n\u00e3o seria diferente com o Programa <em>Au Pair in America.&nbsp;<\/em>Para quem n\u00e3o sabe, esse programa \u00e9 SIM considerado trabalho dom\u00e9stico. Por\u00e9m, camuflado pelas condi\u00e7\u00f5es do&nbsp;&nbsp;visto J1. Calma, eu vou explicar melhor!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em ordem de esclarecer algumas d\u00favidas e fazer desse artigo uma boa leitura, vou separar por t\u00f3picos os assuntos abordados. Ser\u00e3o eles: a falta e a necessidade de <em>child care&nbsp;<\/em>nos Estados Unidos, as condi\u00e7\u00f5es que Au Pair x Host Families enfrentam, as rela\u00e7\u00f5es do governo com o programa, quem realmente sai ganhando com o programa e a forma que ele funciona. Vou citar minha vida sendo Au pair&nbsp;&nbsp;como um exemplo, na esperan\u00e7a de que algu\u00e9m se reconhe\u00e7a nas minhas palavras e sinta vontade de fazer diferen\u00e7a no meio que vivemos. Independente desse programa ser de no m\u00e1ximo dois anos, eu, como ser humano possuidor de direitos, me sinto na obriga\u00e7\u00e3o de expor as falhas para que a pr\u00f3ximas(os) Au pairs possam ter uma no\u00e7\u00e3o do que esse programa realmente \u00e9.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu demorei para entender que aupair \u00e9 sim considerado trabalho dom\u00e9stico, porque meu visto \u00e9 de estudante e foi para isso que eu vim: estudar, trabalhar <em>part-time<\/em> e viver a cultura estadunidense. Na minha segunda semana nos Estados Unidos eu passei por um <em>Rematch.<\/em>&nbsp;Um dos kids que eu cuidava tinha diabetes e a fam\u00edlia n\u00e3o sabia, meu ingl\u00eas era horr\u00edvel, o que dificultava a compreens\u00e3o entre eu e a minha fam\u00edlia acolhedora. Fiquei mais duas semanas em rematch, conversei com algumas fam\u00edlias e acabei fechando com uma fam\u00edlia de pais separados com tr\u00eas crian\u00e7as. A minha agenda no come\u00e7o era de segunda \u00e0 sexta, com intervalo durante o dia e n\u00e3o precisava trabalhar aos finais de semana, n\u00e3o precisava lavar as roupas das crian\u00e7as (pelo menos ningu\u00e9m me prop\u00f4s isso nas entrevistas), a fam\u00edlia aparentava ser aberta e flex\u00edvel. A m\u00e3e formada em sociologia e o pai em psicologia, achei que seria uma rela\u00e7\u00e3o madura devido ao grau de educa\u00e7\u00e3o deles. Por\u00e9m, as coisas v\u00e3o indo bem estranhas, foi o que me motivou a pesquisar mais sobre esse programa e as obriga\u00e7\u00f5es legais entre ag\u00eancia-participante-fam\u00edlia acolhedora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 uma imensa e, inicialmente obscura, disson\u00e2ncia no programa Au Pair in America. Quando eu estava no Brasil procurando uma forma de melhorar meu ingl\u00eas e expandir horizontes, achei esse programa interessante, por\u00e9m n\u00e3o sabia a quem as prerrogativas realmente eram. O programa foi vendido como interc\u00e2mbio cultural, a um pre\u00e7o acess\u00edvel, pelo menos mais barato que os outros interc\u00e2mbios que procurei na \u00e9poca. Uma Au Pair trabalha no m\u00e1ximo 45 horas por semana e ganha no m\u00ednimo US$195,75. Nada mal para quem tem os padr\u00f5es brasileiros como medida de sal\u00e1rio! Acontece que, muitas vezes esse valor n\u00e3o \u00e9 o suficiente para aproveitar e viajar pelo pa\u00eds como sugere os objetos do visto J1. O programa requer algumas horas com experi\u00eancias com crian\u00e7as, o n\u00famero de horas depende do tipo de programa que voc\u00ea vai aplicar, no meu caso eu tinha duas op\u00e7\u00f5es: Au Pair in America (o mais comum) e EduCare. Al\u00e9m de comprovar o n\u00edvel de ingl\u00eas, precisamos tamb\u00e9m apresentar documentos m\u00e9dicos e psicol\u00f3gicos mostrando que somos aptas(os) para cuidar de crian\u00e7as e conviver com uma fam\u00edlia desconhecida. Em contrapartida, a fam\u00edlia, quando aplica para o programa, n\u00e3o precisa comprovar nem apresentar uma boa sa\u00fade psicol\u00f3gica ou adequada para empregar uma Au Pair. Quando online, as cartas que lemos no perfil das fam\u00edlias mostram familiares lindos e unidos, crian\u00e7as ador\u00e1veis a aparentemente bem educadas, fam\u00edlias que procuram algu\u00e9m que possa atender e amar as crian\u00e7as e compartilhar de uma outra cultura enquanto experimenta a cultura deles. Contudo, n\u00f3s s\u00f3 descobrimos o qu\u00e3o sincero a carta de apresenta\u00e7\u00e3o, a agenda acordada no come\u00e7o e a abertura para uma nova cultura eram verdadeiras, quando aterrissamos em solo americano.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com o visto de estudante J1 somos consideradas(os) intercambistas, sendo assim responsabilidade do Departamento de Cultura em vez de sermos responsabilidade do Departamento do Trabalho. Embora quando precisamos de algo \u00e9 para as nossas LCC&#8217;s que pedimos ajuda, \u00e9 muito raro quando a LCC realmente quer ajudar a Au Pair. Mas como disse no come\u00e7o, vamos ter bom senso e razoabilidade e n\u00e3o generalizar. As ag\u00eancias s\u00e3o registradas como empresas sem fins lucrativos mas apenas fam\u00edlias de classe m\u00e9dia alta podem aplicar para o programa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Trabalhando 45 hora por semana, com direito a 1.5 dia de folga por semana, duas semanas remuneradas de f\u00e9rias \u00e0 merc\u00ea da agenda da host family, fica dif\u00edcil fazer planos de viagens e at\u00e9 mesmo estudar. O que no meu caso foi dif\u00edcil, demoramos para entrar em acordo sobre hor\u00e1rio e dia, e quando feito, a minha host family mudou a agenda, o que gerou um grande stress entre n\u00f3s, desgastando ainda mais a pol\u00edtica rela\u00e7\u00e3o entre au pair e host family.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m o qu\u00e3o child care \u00e9 caro nos Estados Unidos, ali\u00e1s, tudo que \u00e9 realmente importante aqui \u00e9 meio caro, como por exemplo, healthcare, universidades, taxas e tudo mais&#8230; mas se voc\u00ea quer gastar a vida comprando maquiagem e refugo de roupa de marca voc\u00ea pode encontrar coisa por pre\u00e7o de banana nas Tjmax da vida. Voltando ao assunto, au pairs, de\u00eam uma olhada nas declara\u00e7\u00f5es da fam\u00edlias nos sites e vejam que um dos pontos fortes do programa \u00e9 o quanto isso \u00e9 financeiramente acess\u00edvel. Uma nanny aqui em Massachusetts custa, normalmente, no m\u00ednimo 15 d\u00f3lares\/hora. Enquanto, se dividirmos 195,75 ($) por 45 horas obteremos o resultado de 4,35 d\u00f3lares\/hora. Sei que n\u00e3o \u00e9 todo mundo que trabalha as 45 horas inteiras, e tamb\u00e9m esse valor \u00e9 independente do n\u00famero de crian\u00e7as que a au pair toma conta. Com a demanda de trabalho crescente para os americanos e o empoderamento feminino, o ramo de cuidados infantis teve uma grande ascens\u00e3o. Assim as(os) imigrantes preenchem o papel do governo a nessa economia imperialista.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando falam que o empregado dom\u00e9stico faz com que as outras profiss\u00f5es aconte\u00e7am, isso vai al\u00e9m do que se pode perceber a primeira vista. N\u00f3s somos mal remunerados, mesmo trabalhando para fam\u00edlias de classe m\u00e9dia, pessoas financeiramente capazes de pagar um outro tipo de child care ou at\u00e9 mesmo pagar melhores sal\u00e1rios, enquanto a fam\u00edlia da comunidade menos favorecida mal pode proporcionar bons cuidados para os filhos(as), pois o governo raramente proporciona cuidados infantis de qualidade e acess\u00edveis aos enquadrados em baixa renda.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Embora existam coisas boas a se considerar, o programa \u00e9, em seu real objetivo, um meio que o governo encontrou de suprir a necessidade de cuidados infantis no sistema econ\u00f4mico americano, as au pairs entram nos Estados Unidos esperando uma vida de intercambistas, as fam\u00edlias esperam&nbsp;&nbsp;uma nanny e trabalho dom\u00e9stico acess\u00edvel, e o governo, que sabe das falhas do programa, espera que ningu\u00e9m reclame, pois temos um prazo de estadia no <i><em>pa\u00eds.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/i><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se voc\u00ea tamb\u00e9m se revolta, mas em algum momento pensa: \u201cAhhh, deixa para l\u00e1, eu s\u00f3 vou ficar nesse programa um ano ou no m\u00e1ximo dois!\u201d pense que, se voc\u00ea falar, mostrar o que acontece, talvez voc\u00ea n\u00e3o mude sua realidade, mas iniciar\u00e1 uma nova e melhor realidade para outra pessoa. Afinal, se n\u00f3s n\u00e3o falamos, n\u00e3o lembrarmos os empregadores dos nossos direitos, como \u00e9 que as pessoas que possuem capacidade de nos defender saber\u00e3o onde agir e como agir? Os direitos, sejam eles quais forem, necessitam ser relembrados e praticados com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>*Estefani Lima \u00e9 brasileira e trabalha como Au Pair na \u00e1rea de Boston. Ela pode ser contactada por meio do Grupo Mulher Brasileira, mulherbrasileira@verdeamarelo.org<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Estefani Lima* Assim como tudo na vida, nada \u00e9 100% alegria e nada \u00e9 100% tristeza; n\u00e3o seria diferente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"two_page_speed":[],"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[51,53,52,41,45,37,36,35],"class_list":["post-974","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog","tag-au-pair","tag-au-pair-in-boston","tag-au-pais-nos-eua","tag-brasileiros-nos-eua","tag-brazilian-women","tag-brazilian-womens-group","tag-grupo-mulher-brasileira","tag-mulher-brasileira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/974","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=974"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/974\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":978,"href":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/974\/revisions\/978"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.verdeamarelo.org\/bwg\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}